Mesmo que o crime não compensa, escrevendo sobre ele pode

FinalLogo_small

Mais de 60 jovens moçambicanos responderam ao anúncio da primeira edição do concurso literário fim do caminho, submetendo seus contos sobre crime em Moçambique, como forma de mostrar a sua indignação com este mal que está afectar a sociedade.

Apresentando contos que falam de gangues que aterrorizam a vida dos cidadãos que residem nas grandes cidades e outras histórias que relatam ecos de bandidos, vigaristas e funcionários corruptos, a antologia dos melhores textos do festival que se pretende publicar em 2017 em Português e Inglês, irá trazer nomes desconhecidos da literatura lusófona africana para o mundo dos leitores.

A criminalidade é um problema que preocupa os moçambicanos, aliás, a polícia registou só em 2014, mais de 11,000 casos criminais, por isso não é novidade que um número considerado de jovens escritores tenha demonstrado uma paixão para escrever contos sobre crime.

Homenagem a Henning Mankell
 


Os organizadores do concurso dizem estar surpresos pelo número de candidaturas submetidas: “não tínhamos ideia que existiam muitos escritores de crime em Moçambique” – disse a romancista britânica Lisa St Aubin de Teran, fundadora da Teran Fundation, instituição Olandesa baseada em Nampula e que organiza o concurso com financiamento da Miles Morland Foundation.

O tema inaugural do concurso, foi sobre crime em Moçambique, em homenagem a Henning Mankel, escritor sueco falecido no ano passado e que viveu em Moçambique por mais de uma década e foi director do Teatro Avenida em Maputo.

Noticias Ad_Public1
Uma mulher em Maputo lê o anúncio do Concurso Literário Fim do Caminho no jornal Noticias.

“Henning teria se esforçado para ler as histórias”

Os mais de 60 contos sobre crime submetidos ao concurso, mostram que o seu legado está em Moçambique. “Eu sei que Henning Mankel teria se esforçado para ler as histórias, porque Moçambique foi parte integrante da sua vida” – disse Anneli Høier da CLA Literary Agency, que foi o agente literário do escritor sueco.

Cada um dos contos de seis páginas, narra a história da criminalidade que se vive no ventre das cidades deste país da África Austral. Maputo, Beira, Nampula, Chimoio, Xai Xai, Pemba e Tete, onde residem os autores dos textos que se candidataram ao concurso literário Fim do Caminho.

Em algumas histórias é notável a forma criativa como os participantes introduzem detectives que combatem perigosos cadastrados, em outras os detectives cometem alguns erros, o que lhes faz não conseguir combater os referidos crimes.

Dezenas de Novas Vozes Africanas

O concurso literário fim do caminho, tem participações de escritores inéditos e premiados. A idade média dos participantes é de 26 anos, sendo de destacar novas vozes masculinas e femininas da literatura que submeteram suas histórias.

O concurso despertou a atenção de aspirantes a escritores a partir da imprensa e das redes sociais em Moçambique. Uma das instituições penitenciárias do país, havia igualmente manifestado o interesse para que os reclusos tivessem oportunidade de submeter seus contos ao concurso.

“A ficção sobre crime é um dos géneros mais populares no mundo. Se temos contos criminais nórdicos e de Los Angles, porque não temos contos criminais de Nairobi ou Accra? Este magnífico e enorme continente africano, está repleto de variedades culturais, que podem servir de base para a construção de lindas histórias” – disse Kwei Quartey, escritor do Ghana e criador do ‘Inspector Darko Dawson’ numa mensagem dirigida a equipa do Fim do Caminho, congratulando pela iniciativa.

Concurso Literário Fim do Caminho na redes sociais

15 Abril – 15 Maio interacções na pagina Facebook:  9525

Vencedores serão anunciados em Junho

O processo de submissão de candidaturas para a primeira edição do festival fim do caminho, terminou no dia 15 de Maio. Os contos estão neste momento com os membros de júri que estão a trabalhar no processo de classificação. Por razões de transparência, os membros de júri não foram anunciados, mas deixa-se claro que são dois renomados escritores moçambicanos. Os membros do júri não conhecem os nomes reais dos candidatos, mas sim pseudónimos que foram submetidos com o intuito de garantir maior isenção.

Os escritores que irão integrar a antologia de contos sobre crime, bem como, os grandes vencedores serão anunciados no website do Festival Fim do Caminho, bem como na página do Facebook, logo depois do dia 15 de Junho de 2016.